domingo, 21 de setembro de 2014

Ranking - Graphics MSP (primeiro ciclo + Bidu - Caminhos)

Aqui deixo um ranking sobre as Graphics MSP já lançadas - as do primeiro ciclo mais "Bidu - Caminhos". Abaixo o ranking:

Vencedor: Turma da Mônica - Laços (Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi)


1) Turma da Mônica - Laços, por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi - A trama é emocionante e foi realmente clássica, dando um tom de nostalgia e de "classicismo". Foi uma grande trama, que ganha nota 9,6.

2) Piteco - Ingá, por Shiko - A história do Piteco foi muito bem elaborada, e se passa no futuro das historinhas dos gibis, com direito a um beijo da Thuga e Piteco e reunião das aldeias de Lem, Tigre e Ur. Nota 8,9.

3) Bidu - Caminhos, por Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho - Uma trama emocionante, assim como Laços. Os balões de fala ficaram lindos, e a arte também. Mais sobre a Graphic aqui. Nota 8,3.

4) Astronauta - Magnetar, por Danilo Beyruth (cores de Cris Peter) - Astronauta vive uma grande aventura no espaço, muito filosófica - e que conquistou o público, mas a mim não. A nota é 7,7.

5) Chico Bento - Pavor Espaciar, por Gustavo Duarte - Chico Bento, Zé Lelé, Giselda e Torresmo são raptados por alienígenas e Zé e Torresmo trocam de corpo. A história é fraca, traz tramas sem importância, é quase-muda e tem a ausência de personagens importantes, como a Rosinha. A nota é 5,0. Chico merecia mais.

E este é o ranking, pessoal! O que acharam? Concordam? Discordam? Comentem!


Turma da Mônica Extra nº13


Nas bancas, "Turma da Mônica Extra Nº 13" com a Vó Dita e nessa postagem comento sobre essa edição. 

Essa edição continua sem propagandas internas e custando R$ 3,20, e, com isso, é a revista mais barata da MSP atualmente. Chegou com um atraso de 4 meses, visto que a data original era de maio, conforme consta no expediente, e só chegou nas bancas em setembro. Não dá para entender um título chegar tão atrasado como foi esse, para ver como anda péssima a distribuição da Panini. Mesmo com atraso, as propagandas da página 2 e da contracapa foram atuais, mostrando os lançamentos de "Graphics MSP - Bidu Caminhos" e "Turma da Mônica Jovem # 74", de agosto e setembro, respectivamente. Provavelmente mudaram de última hora esses anúncios. 

A vó Dita é avó do Chico Bento, mãe do pai dele, o Seu Bento. Foi inspirada na avó de verdade do Mauricio de Sousa, de mesmo nome. Sua principal característica é contar histórias para o seu neto Chico Bento ou também para outras crianças da Vila Abobrinha. Essas histórias são baseadas no folclore brasileiro ou reais, baseadas na sua experiência de vida, repletas de sabedoria e com uma lição de moral para refletir no final. 

Quando o protagonista da história é criança, costuma ser o Chico Bento e seus amigos representando os personagens da sua histórias. O Chico pensa que tudo é imaginação da Vó Dita, mas no final é revelado para os leitores que realmente aconteceu no passado, mostrando a Vó Dita conversando com o personagem de quem ela contou. Até quando as histórias são sobre folclore também são verdadeiras. 

Algumas eram emocionantes, outras bem sinistras também, envolvendo pacto com diabo e o sobrenatural, e estas também aconteceram, mostrando os personagens no final. Há também histórias com ela só participando das histórias do Chico mesmo e dando conselho rápido. Não gostava muito da Vó Dita quando criança, não entendia muito as mensagens que queria dizer e achava sem graça. Depois de adulto, que passei a entender, mas mesmo assim prefiro as histórias divertidas.


Então, essa edição "Turma da Mônica Extra Nº 13" tem 12 histórias republicadas com a Vó Dita no total, incluindo a tirinha final  Prevaleceram histórias simples com a Vó Dita participando ou no início ou no final e infelizmente apenas 4 foram com ela contando histórias para o Chico. 

As histórias são da Editora Globo entre 1991 a 1994, mas teve uma de 1 pagina da Editora Abril, publicada originalmente em Chico Bento # 3, de 1982. Aliás, quase todas as histórias haviam sido republicadas no 'Coleção Um Tema Só # 48 - Chico Bento: Histórias da Vó Dita' (Ed. Globo, 2005). Apenas essa da Ed. Abril, além de "A vingança do peixe", de CHB #124, de 1991 (em que o Chico se engasga com uma espinha de peixe e o Zé Lelé tenta tirar), e "A importância de uma flor", de CHB # 125, de 1991 (em que conta a história de uma menina que cultivava flores), que não foram. Então, quem tem aquela edição, conhece as histórias também.

O gibi abre com a história "Chico Bento e o nome" (CHB # 144, de 1992), que mostra como foi o nascimento e a escolha do nome do Chico Bento. A intenção era os pais colocarem o nome dele através do santo do dia, mas como ele nasceu no "Dia de Todos os Santos", os pais e a Vó Dita procuram outros meios para escolherem um nome para o bebê. Um detalhe nela é que o seu Bento chama a Vó Dita pelo nome, e não de mãe.

De curiosidade, essa história é de uma época em que os personagens não tinham datas fixas de aniversário e qualquer data podia ser a de aniversário. Então, só nessa história, o Chico Bento nasceu dia 1º de novembro, e atualmente ele faz aniversário em 1º de julho. Porém, apesar da história falar de "Dia de Todos os Santos", o gibi original foi de julho de 1992, e, com isso, dá para notar que as histórias não tinham coerência com o mês corrente. 

A "Perigo na xícara chá" (CHB # 113, de 1991) é simples e interessante. Nela, a Vó Dita não vê um futuro  bom para o Chico na xícara de chá, mas não diz para ele o que é, e ele fica encucado com isso. 

Trecho da HQ "Perigo na xícara de chá" (1991)

O gibi encerra com a história "Chico Malasarte" (CHB # 132, de 1992), que conta a história de um menino que perdeu tudo e ficou só com a porta velha da casa e a companhia de um urubu e faz um plano para comer na casa de uma mulher que regula comida até para o marido.

Sobre as terríveis alterações em relação às originais, infelizmente tiveram algumas. A primeira foi logo na primeira página da história de abertura. Na original, o Seu Bento estava com um cachimbo na mão, e agora tiraram. Nas histórias atuais, cigarros, cachimbos, charutos estão proibidos e, então, eles alteram isso nas republicações dos almanaques. E nesse não foi diferente. Abaixo a comparação:

Trecho da HQ "Chico Bento e o nome", tirada
de 'Chico Bento # 144' (Ed. Globo, 1992)


Trecho alterado da HQ "Chico Bento e o nome",
tirada de 'Turma da Mônica Extra Nº 13'

Ficou tão mal feito que a gente sabe que ele está segurando alguma coisa ali e que foi apagado. Lembrando que as histórias com a Vó Dita com cachimbo não foram alteradas, e, com isso, nas que ela aparece sem o cachimbo, eram assim mesmo nas originais, mas foi falado no frontispício que "isso é folclore", ou seja, não existe nas histórias atuais.

Outra alteração, segue essa ideia também, só que aí tiraram o cachimbo do Saci na história "Quem canta" (CHB # 143, de 1992), em que o Chico canta para as assombrações ao voltar para casa, seguindo o conselho da Vó Dita. Acho absurdo isso, porque faz parte da cultura brasileira o Saci fumando cachimbo e agora a MSP tira, sem mais nem menos. Até na capa, ele aparece sem. Abaixo, a comparação dessa história:

Comparação da HQ "Quem canta": saci sem cachimbo na reedição

Na história de 1 página, tiveram mudanças. O caipirês em 1982 era diferente do que o atual em algumas palavras. Com isso, eles mudaram as palavras "melhor" e "de". Na original, a Vó Dita falava "mió" e "de" e nessa republicação mudaram para "mior" e "di", respectivamente. Não gosto quando muda o caipirês porque descaracteriza a linguagem da época. Abaixo, a comparação da palavra "mió" nessa história:

Comparação da HQ de 1982: alteração do caipirês na palavra "mió"

Em "Vó Dita sabe das coisas" (CHB # 158, de 1993), em que a Vó Dita conta para o Chico e o Zé Lelé a história de uma bruxa que transformou em sapos dois garotos que roubavam suas goiabas, trocaram o tempo inteiro a palavra "roubar" para "pegar". 

Em uma época que não tem mais bandidos nos gibis, a palavra "roubar" também está proibida atualmente. Ou seja, agora eles não roubam mais goiaba do Nhô Lau, e, sim, pegam as goiabas. Fica até estranho vendo a comparação, o Zé Lelé falando que roubada pegada é mais gostosa. Ridículo. Isso sem contar também a mudança de novo no caipirês, alterando de "memo" na original, para "mermo".  Lamentável.

Comparação da HQ "Vó Dita sabe das coisas": palavra "robada" alterada

Lembrando que na original, o Nhô Lau não aparece de trabuco e, logo, isso não foi alterado dessa vez. Porém, corrigiram erros de colorização. Na época, o Zé Lelé apareceu de cabelos brancos nas últimas páginas depois da história contada pela Vó Dita e agora corrigiram isso, assim como a camisa dele que apareceu branca na primeira página e agora corrigiram para rosa.

Trecho da HQ "Vó Dita sabe das coisas", tirada de 'Chico
Bento # 158' (Ed. Globo, 1993)


Trecho alterado da HQ "Vó Dita sabe das coisas",
tirada de 'Turma da Mônica Extra Nº 13'

Então, esse gibi vale para quem gosta da Vó Dita e conhecer um pouco das suas histórias. Para quem tem os gibis originais ou o 'Coleção Um Tema Só # 48' de 2005 pode não valer tanto, já que a maioria das histórias são as mesmas. Se não fossem as alterações toscas ficaria melhor.